São Paulo, 1965. Vive em Berlim

O apelo de situações aparentemente sem apelo é um mote de trabalho para Lina Kim. Seu olhar parece encontrar interesse não em lugares nem objetos específicos, mas na brecha sutil, que a seu modo revela detalhes. Essas brechas têm uma visualidade delicada, exigem o tempo alargado, arrastado, demorado, esgarçado de uma escuta atenta, como essa enumeração disfuncional de verbos.

Em sua vasta pesquisa sobre a arquitetura de Brasília, por exemplo, que resulta em um  arquivo ou em fotos de lugares vazios e em aparente suspensão, a artista deixou  ver também o que não se entrega aos olhos. A série de desenhos apresentados em Frestas surgiu da observação da anatomia dos corpos de cisnes que vivem nos canais de Berlim, na Alemanha. Em um exercício extenso e meticuloso, Lina Kim recorre a uma linha magra, que, como uma partitura, carrega som e, por que não, escuta. As formas orgânicas dos corpos das aves são conjugadas a vetores geométricos, de raízes concretas. Uma vez levadas a interagir, essas formas supostamente antagônicas alcançam um equilíbrio construtivo.

Obras

Swanswanswan Series – Livelihood [Série Swanswanswan – meios de sobreviviência] , 2017
colagem, grafite, lápis de cor e nanquim sobre papel