São Paulo, 1983

Desde meados dos anos 2000, Francisco Rodrigues da Silva, mais conhecido como Nunca, emprega na escala urbana seus desenhos e pinturas de grandes proporções. Ao lado de outros grafiteiros da mesma geração, como Os Gêmeos, Spetto e Ninca Pandolfo, Nunca começou a trabalhar em São Paulo mas levou sua produção a outras metrópoles do mundo. Entrou para o circuito institucional e para o mercado de arte contemporânea contribuindo para fortalecer o debate, a recepção midiática e o público da arte urbana.

Figurativas e dotadas de características marcantes, as intervenções de Nunca evocam elementos do passado brasileiro e de um repertório gráfico no qual o regional está em colisão com um imaginário cosmopolita atual. Povos originários, de gente mestiça, de hábitos e tradições diversos, são levados a conviver com signos da culturas pop e de massa, da vida e dos conflitos de raças, classes, interesses e territórios nas cidades.

Também na forma, o artista propõe diversidade. Uma polifonia visual de cores vibrantes preenche campos em oposição a desenhos com contornos e hachuras em preto, que conferem escala e volume ao assunto representado. A partir de um esboço preliminar, as obras costumam ser adaptadas in loco e só ali ganham sua forma final. O contexto de Sorocaba motivou uma obra inédita do artista. Inaugurado na Trienal, o enorme mural da praça Coronel Fernando Prestes tem suas condições e sua permanência submetidas à dinâmica da cidade, durante e depois da mostra.

Obras

Fundadores, 2017
acrílica e spray
AGRADECIMENTO Edifício Francisco Paula Simone
e Sorocred