Lima, 1962. Vive em Berlim

Integrante do Grupo Chaclacayo (1982-1994), junto com Helmut Psotta e Raúl Avellaneda, Sergio Zevallos começou a trabalhar como artista em um contexto marcado pelo terrorismo de Estado e pelo conflito armado com grupos paramilitares no Peru. O coletivo é contemporâneo do Movimiento Subterráneo, fenômeno contracultural e anarquista que reuniu músicos, poetas e arquitetos em ações artísticas radicais, à margem do sistema oficial de artes na Lima dos anos 1980.
Nas proposições do Chaclacayo, o corpo – travestido e performado em atitudes que teatralizavam o pornográfico e a liturgia católica – operava uma poderosa crítica à violência física e simbólica que o colonialismo, a religião e o militarismo exerciam sobre os sujeitos. Esse corpo não colonial, torturado, mutilado, queimado ou desaparecido, era diariamente exibido, naturalizado e espetacularizado nos meios de comunicação.
Em Callejón oscuro [Beco escuro] (2013), Cuaderno de matemática [Caderno de matemática] e HK(2014), o artista, já não mais junto ao grupo, constrói narrativas em que a figura humana se relaciona com instrumentos de controle, patologização e extermínio dos corpos que não são brancos nem heteronormativos. Os elementos desses discursos de padronização são apropriados com base em textos, dados e gráficos extraídos de livros de anatomia, fisiologia e higiene, medicina legal e códigos civil e penal do Peru.

Obras

Callejón oscuro [Beco escuro], 2013
grafite e decalque sobre papel
CORTESIA do artista e da galeria 80m2
Livia Benavides

HKG, 2014
grafite e decalque sobre papel
CORTESIA do artista e da galeria 80m2
Livia Benavides

Cuaderno de matemática
[Caderno de matemática], 2014
grafite e decalque sobre papel
CORTESIA do artista e da galeria 80m2
Livia Benavides