Carmo do Paranaíba, 1979. Vive e trabalha em São Paulo

Alvo, Revolver e Bala são obras inéditas, que, expostas na forma de tríade, estabelecem uma relação discursiva de reciprocidade. Em Bala, um boneco em escala humana recepciona os visitantes oferecendo seu próprio corpo para ser devorado: seu esqueleto é constituído de bandejas repletas de balas de coco. Trata-se de uma réplica de bonecos típicos das festas infantis dos anos 1970 no Brasil. A palavra “bala” tem aqui dois significados: é terna e lúdica quando se refere aos confeitos oferecidos aos visitantes, mas também violenta quando remete à munição de armas.

O tema da violência permeia a relação com as outras obras, como a instalação Revolver, constituída de oito carcaças de revólveres antigos, dos últimos três séculos. Honório frequentemente utiliza objetos que têm carga histórica, porém os atravessa com outras narrativas no presente, constituindo trabalhos que falam sobre cruzamentos de tempo, memória e violência. Aqui, a palavra “revolver”, além de arma de fogo, também sugere “voltar”, “retroceder”. A terceira parte do tríptico, Alvo, oferece um comentário tragicômico sobre a angústia e a violência contidas nesses trabalhos: um nariz de palhaço é esticado até alcançar a forma de um sorriso tenso.

[LB]

Obras

Revolver, 2014/2017
8 carcaças de revólveres dos séculos XIX, XX e XXI soldadas a um tubo de aço

Bala, 2015/2017
boneco-baleiro natural 1:1; balas de coco embrulhadas em papel rococó

Alvo, 2004/2017
régua de acrílico de 30 cm, haste de acrílico, nariz de palhaço profissional, elástico