Foto: reprodução Instagram Bruno Mendonça

Há 20 anos usava-se muito a expressão “entrar na internet”. Como se fosse possível abrir uma porta e de alguma forma chegar a este espaço novo e cheio de infinitas possibilidades. O “mundo virtual” era um lugar a parte, de onde entrávamos e saíamos acompanhados de um característico som da conexão analógica.

O mundo mudou. O espaço virtual se expandiu e tomou conta de nossos hábitos diários desde o momento em que acordamos. A conexão é permanente, constante, infinita. Não há divisão de territórios e estamos todos presentes no mesmo lugar, conectados a tudo e todos, 24 horas por dia.

Desta forma, nada mais natural que a Trienal ocupe também este espaço como uma extensão da própria mostra. Com curadoria de Ana Maria Maia e Júlia Ayerbe, um grupo de artistas foi convidado para interferir em diferentes plataformas digitais. Listamos aqui o caminho a seguir para acompanhar Frestas na internet sem se perder.

A argentina Gala Berger, questionando sobre a credibilidade dos conteúdos webs, apresenta o projeto de escrita e monitoramento de um verbete na Wikipedia, enciclopédia multilíngue colaborativa. Escrito em castelhano e passível de interferência dos públicos, a obra está no ar desde 11 de julho.

Angélica Freitas ocupa a rede social que mais abriga conteúdo no mundo, o Facebook. Em postagens pontuais, sonorizadas por Juliana Perdigão, um episódio da política brasileira é abordado através de analogias com o cotidiano num encontro entre poesia e música, despertando sensações que transbordam do virtual.

O Departamento de reclamações das Guerrilla Girls abre espaço na web para o recolhimento de queixas das pessoas que não poderão visitar a exposição presente no Sesc Sorocaba. Além de expressar suas objeções, o público pode compartilhar o link, aumentando assim o alcance do trabalho.

Bruno Mendonça cria o projeto onde está o que se o que está em porque que consiste em intervenções em circuitos variados que tangenciam a exposição, criando uma rede discursiva, uma espécie de narrativa hipertextual. Desde agosto de 2017, o artista tem desenvolvido conteúdos específicos nas redes sociais, sempre indexados com a hashtag #frestas2017, a mais popular entre os visitantes da trienal. Esses conteúdos infiltram uma perspectiva pessoal e desviante na memória coletiva e institucional do evento. Em 21/10 o artista realiza uma performance com formato que transita entre o spoken word, a lecture performance e o one man band show, na ágora do Sesc Sorocaba onde visitará este conteúdo em processo complexificando essa rede e as relações entre performance e performatividade.

Em Escola da Floresta, Fábio Tremonte ocupará o Facebook  ao vivo de 28/8 a 1/9, através de uma transmissão da leitura do Relatório Figueiredo, um documento de 7 mil páginas produzido em 1967 pelo procurador Jader de Figueiredo Correia a pedido do ministro do interior brasileiro Afonso Augusto de Albuquerque Lima. O texto descreve violências praticadas por latifundiários e funcionários do Serviço de Proteção ao Índio contra índios brasileiros ao longo das décadas de 1940, 1950 e 1960.

A partir de uma residência artística, Ricardo Castro fará ações em espaços públicos da cidade de Sorocaba que serão registradas em fotos e vídeos e publicadas no Google Maps, associadas aos locais onde aconteceram. Em suas redes sociais o artista irá revelar fragmentos dos registros destas intervenções.

Em performance que ocorre em 12/8 e 21/10 no auditório do Sesc Sorocaba, Deyson Gilbert apresenta uma aula em formato TED (Tecnologia, Entretenimento e Design), usando recursos como microfone, slides e envio de arquivos para um grupo de Whatsapp com as pessoas da plateia, com disseminação simultânea e posterior nas redes sociais.

Escrito por:

Juliana Ramos